Garçons do Recife se preparam para os turistas

Com a confirmação do Recife como uma das sedes da Copa 2014, diversos estabelecimentos já começam a se preparar para receber melhor o turista. É o caso do Restaurante Entre Amigos (que serve o melhor bode do Recife, com unidades no Espinheiro, na Rua da Hora e em Boa Viagem), que já está oferecendo capacitações para seus funcionários.

“Os turistas muitas vezes chegam ao restaurante e fazem perguntas sobre a cidade e sobre o Estado, querendo saber quais os pontos turísticos, a cultura, e percebemos que nem sempre nossos garçons sabem responder”, comenta afirma uma das donas do restaurante, Najara Dantas.

De acordo com ela, nas aulas, realizadas no próprio restaurante, são mostrados os principais roteiros turísticos do Recife, e os garços são estimulados a visitar esses lugares nos horários de folga. Acontecerão também cursos de qualificação em atendimento e abordagem aos clientes.

O restaurante participa ainda do projeto Caminhos do Sabor – A União Faz o Destino, organizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em parceria com o  Ministério do Turismo.

A iniciativa promove aulas de inglês entre os funcionários. O objetivo das aulas é fazer com que os alunos aprendam ao menos a cumprimentar os clientes e oferecer opções de cardápio. O menu do restaurante será traduzido não só para o inglês, como já existe, mas também para o francês e espanhol.

Ainda para os turistas, a unidade do Entre Amigos de Boa Viagem conta com serviço de van, transportando os visitantes do hotel para o restaurante.

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Restauração do patrimônio histórico e cultural de Pernambuco

A Secretaria de Turismo de Pernambuco anunciou nesta quinta-feira (18) a liberação de verbas para a restauração do patrimônio histórico e cultural do Estado. O conjunto de obras está orçado em mais de R$ 27 milhões, que serão investidos até 2011, abrangendo os municípios de Recife, Olinda, Itamaracá, Igarassu e o Arquipélago de Fernando de Noronha.

O anúncio foi feito durante a cerimônia de abertura do Fórum das Cidades Históricas Turísticas, no Centro de Convenções de Pernambuco,  fruto de uma parceria entre o Ministério do Turismo, Prefeitura de Olinda, Secretaria de Turismo do Governo do Estado e Empetur.

“O nosso diferencial entre os outros destinos de Sol e Mar – cidades do Nordeste como Fortaleza, Natal, Salvador, João Pessoa e Maceió –  é a riqueza da nossa cultura;  é  importante para o Estado que cuidemos do nosso patrimônio histórico e cultural e, por isso estamos realizando esses investimentos”, declarou o Secretário  de Turismo, Costa Filho.

A  maioria das ações de requalificação será realizada com recursos oriundos do Prodetur. São elas:

Mercado Eufrásio Barbosa (Olinda) – Restaurar o mercado assegurando a sua integridade arquitetônica e prepará-lo para abrigar o Centro da Cultura Popular de Pernambuco. O projeto arquitetônico está em elaboração; custo estimado de R$ 5 milhões.

Museu do Estado de Pernambuco (Recife) – Reforma do prédio: novo projeto paisagístico dos jardins, pavimentação do estacionamento, climatização do casarão principal. Obra em licitação, valor previsto  R$ 1,1 milhão.

Requalificação da Vila dos Remédios (Fernando de Noronha) – Recuperação da Armazém de Cereais, Casa de Banho do Presídio e desassoreamento de um trecho do Riacho Mulungu. Edital previsto para ser lançado em julho de 2009, orçamento  previsto é de R$ 1,9 milhão.

Requalificação do Alto da Sé (Olinda) – Reforma da Caixa D´água com instalação de elevador panorâmico, construção de Mercado de Artesanato, reforma e revitalização do Largo da Sé. O orçamento é R$ 4,5 milhões. A estimativa é que a obra seja finalizada em dezembro deste ano.

Plano de Preservação de Vila Velha de Itamaracá – Promover a preservação e melhoria das condições ambientais, paisagísticas e urbanísticas do Sítio Histórico de Vila Velha. Em andamento, orçamento  de R$ 335,6 mil.

Projeto de Requalificação do Engenho São João (Itamaracá) – Elaboração de projeto para a recuperação da Casa Grande do Engenho São João, para instalação do Museu do Conselheiro João Alfredo.

Requalificação do Engenho Monjope (Igarassu) – Elaboração de projeto para recuperar o conjunto patrimonial do Engenho Monjope e seu entorno.

Trilhas do Patrimônio (Recife) – Mmelhoria da acessibilidade nas vias de maior circulação de pedestre, onde se desenvolvem os circuitos turísticos mais atrativos do Bairro do Recife, na região central da cidade.

Caminhos do Recife (Recife) – Ações de melhoria física nas ruas que compõem os circuitos turísticos e culturais dos bairros de Santo Antônio e São José, de forma a estimular o turismo pedestre.

Forte das Cinco Pontas (Recife) – Ação de requalificação física do Forte das Cinco Pontas e a instalação de um grande portal de turismo.

Cruz do Patrão – Elaboração de projeto para a urbanização no perímetro de atuação da Cruz do Patrão, compreendendo as intervenções de requalificação física e a execução do projeto de agenciamento ao Monumento Cruz do Patrão e ao Centro Cultural. Investimento de R$ 5 milhões.

O conjunto de ações certamente consolidará Pernambuco como um dos principais receptores do turismo cultural no Brasil.


Bairros do Recife: São José e Santo Antônio

Os primeiros passos da colonização de Pernambuco se deram em Olinda; o português Duarte Coelho, primeiro donatário de Pernambuco, pretendeu recriar nas colinas de Olinda um ambiente semelhante ao de Lisboa; Recife era então apenas um dos portos por onde escoava a produção de açúcar rumo à Europa.

A expansão em direção às terras baixas deu-se principalmente por obra dos holandeses que, por mais de vinte anos, dominaram Pernambuco; os invasores pretendiam também recriar os ares de uma cidade européia, Nova Amsterdam, e para isso ocuparam inicialmente o espaço tomado por uma ilha situada na entrada do Capiberibe (ver foto abaixo).

Essa etapa na ocupação do território marcou profundamente o crescimento da cidade, e compreende um período de afirmação do Recife como município. Qualquer pessoa interessada na formação histórica e cultural do Recife, Olinda, Pernambuco e mesmo do Brasil deve obrigatoriamente fazer um passeio pelo centro antigo do Recife.

ilha-recife

A primeira grande construção ocorrida naquela ilha, antes ainda do domínio holandês, foi o Convento Franciscano de Santo Antônio, concluído por volta de 1606. A primeira denominação dada à  ilha foi Ilha dos Navios; mais tarde, passou a ser chamada de Ilha de Antônio Vaz, até virar, em 1789, a Freguesia do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio. Nascia ali o bairro de Santo Antônio.

No início do século XIX, a freguesia havia atingido tal extensão e população que foi subdivida, sendo criada então a Freguesia de São José. O território e a identidade desses dois bairros continuam até hoje tão entrelaçados que é difícil encontrar quem saiba onde começa um e termina o outro. Assim, os dois bairros, como irmão mais velho e mais novo, são hoje o coração do Recife.

Há doze anos, Fred Salim é o Gerente Operacional de Planejamento, Produção e Programação Cultural do Pátio de São Pedro, e contará um pouco mais sobre os bairros. Fred mudou-se para São José há quatro anos e conta que, muitas vezes, vai para o trabalho a pé, o que lhe permite conhecer cada vez melhor a região.

Começamos o passeio pelo própro Pátio de São Pedro. Apresentações musicais movimentam as noites daqui, fazendo do espaço um importante pólo de movimentação cultural. A Terça Negra, o Sábado Mangue, e o Dançando no Pátio trazem milhares de pessoas para cá, onde encontram bares e restaurantes, além de música de qualidade.

Passamos pela Igreja de São Pedro, que ocupa posição majestosa no pátio. Seguindo pela direita da igreja encontramos um intenso e variado comércio de roupas, muitas vindas de pólos de confecção do estado, como Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. Fred avisa que, na época do natal, a rua fica lotada de pessoas em busca de presentes, ou de uma roupa nova e especial para a data.

Chegamos a Igreja Terço, que também tem um pátio com seu nome. Aqui encontramos um importante ponto de cultura e religiosidade afro: a Casa de Badia. No Pátio do Terço é realizada, toda segunda-feira de carnaval, a poética Noite dos Tambores Silenciosos.

Entramos no Forte das Cinco Pontas. Construída pelos holandeses, a fortaleza já foi importante na defesa do território contra invasões inimigas. Hoje, a construção em formato de estrela defende a história e a cultura da cidade, em uma exposição permanente que conta toda a história da cidade, com mapas, documentos e objetos de diferentes épocas da vida do Recife.

Do forte para a Rua das Calçadas que, como quase todas as ruas da vizinhança, fica repleta de lojas e gente durante o horário comercial. Sobre a variedade do comércio encontrada no bairro, Fred resume: “aqui no centro você encontra tudo o que quiser”.

Em seguida, visitamos a Igreja de Santa Rita, construída em 1784 e reconstruída, por causa de problemas estruturais, em 1870.

No cais de Santa Rita encontramos o terminal de ônibus urbanos, entroncamento de dezenas de linhas vindas de todas as partes da região metropolitana. O frenético movimento de passageiros, ônibus e vendedores ambulantes não pára nem de madrugada, quando praticamente todas as linhas passam a fazer terminal aqui e a sair de hora em hora. Conhecidos como “bacuraus” – ave de hábito noturno – estes ônibus formam uma fila enorme nos dois corredores do terminal.

Continuamos nossa caminhada pela Rua Padre Floriano, onde ficava a primeira sede do Galo da Madrugada, maior bloco de carnaval do mundo. A casa que abrigou este patrimônio cultural já não existe mais: foi demolida para a construção do depósito de uma grande rede de armazéns de construção. A atual sede do Galo fica na Praça Sérgio Loreto, final da Rua da Concórdia, que hoje concentra grande número de lojas de instrumentos e equipamentos musicais e eletrônicos.

Muitos outros importantes blocos e agremiações carnavalescas nasceram nos bairros de Santo Antônio e São José, como o Clube Vassourinhas, Batutas de São José, Pierrôs de São José, Prato Misterioso e tantos outros que festejaram e festejam a irreverência, a alegria e a arte do carnaval pernambucano.

Caminhando por ruas sempre cheias de gente, paramos em frente ao Mercado de São José. A praça do mercado recentemente foi reformada e requalificada, proporcionando a visitantes e comerciantes mais conforto e beleza. Também voltada para a praça, fica a Igreja da Penha e seu convento. Entramos no mercado e passeamos em meio a seus corredores repletos de artesanatos, produtos religiosos, carnes e peixes, roupas e calçados, bancas de alimentos e de ervas medicinais, e muito mais.

Rumamos para o Largo do Livramento, que dispõe de bancos de madeira, muitas lojas e amplo espaço. Mais ao norte, alcançamos a Praça 17, onde um homem trabalha peças de madeira até transformá-las em tabuleiros para jogos.

Seguimos pela Rua Imperador Dom Pedro II, passando por prédios importantes como o Arquivo Público, o Ministério Público, o Gabinete Português de Leitura e a Capela Dourada, certamente uma das mais belas igrejas do Recife (foto abaixo); anexo à Capela, encontra-se o Museu Franciscano de Arte Sacra, com extenso acervo aberto a visitação de turistas que vêm de diversos países do mundo se encantar com tanta história e beleza.

capela-dourada-recife

Se São José é hoje quase que inteiramente dedicado ao comércio popular, Santo Antônio ainda preserva um pouco da função conferida por Maurício de Nassau: a de abrigar prédios públicos.

Seguimos até encontrar uma praça tão grande que parece, à primeira vista, um parque. É a Praça da República, arborizada, espaçosa, bonita e importante. Aqui encontramos a sede do governo estadual e residência oficial do Governador do Estado de Pernambuco, o Palácio do Campo das Princesas; recentemente, o palácio abriu as portas para visitação pública, e os interessados podem conhecer seu interior.

Outras importantes construções rodeiam a praça: o Palácio da Justiça, o Liceu de Artes e Ofícios e o suntuoso Teatro de Santa Isabel, construído em 1850. Hoje o Santa Isabel é importante palco para músicos populares e clássicos, além de espetáculos de teatro e dança.

Deixamos a imponente Praça da República e seguimos em uma das mais importantes avenidas do Recife, a Dantas Barreto. Nela encontramos dezenas de terminais de ônibus vindos de todas as áreas da cidade, bancas de revista e fiteiros; um camelódromo concentra diversos comerciantes que antes atuavam como ambulantes e hoje oferecem diversos tipos de produtos e serviços, como roupas, produtos eletrônicos, tatuagens e consertos em geral.

Na Dantas Barreto localizam-se duas das mais importantes igrejas da cidade: a Igreja do Santíssimo Sacramento, Matriz de Santo Antônio, e a Basílica de Nossa Senhora do Carmo, santa padroeira do Recife. Na Praça do Carmo, amplo espaço onde a vida do Recife pulsa diariamente, milhares de pessoas circulam; este é um dos corações da cidade. A cada julho, Nossa Senhora do Carmo é homenageada na festa que traz à praça parque de diversões, barracas de artigos religiosos e de alimentos.

Andando mais um pouco, chegamos a mais movimentada praça da cidade: a Praça da Independência, carinhosamente chamada de “Pracinha do Diario” pela população – no local, está o prédio da antiga sede do Diário de Pernambuco, o jornal mais antigo do Brasil ainda em circulação (hoje, a sede está no bairro de Santo Amaro).

Na Avenida Guararapes, passamos por onde ficava localizado o Bar Savoy, que fechou as portas, mas continua presente no imaginário da cidade, e pela central da Empresa de Correios e Telégrafos, ECT. Por trás dos correios, os aficionados por livros encontram diversos sebos. No pé da ponte Duarte Coelho, que no carnaval é interditada para a montagem do tradicional galo gigante do Galo da Madrugada e liga a Guararapes a Avenida Conde da Boa Vista, encontramos a estátua de um dos maiores músicos pernambucanos: Capiba.

Nada menos que sete pontes ligam a vizinhança aos bairros do Recife Antigo e da Boa Vista. Os próprios bairros de Santo Antônio e São José funcionaram como uma “ponte” para o crescimento territorial do recife, e não há localidade na cidade que concentre tantas dessas construções como os bairros irmãos.

Pegamos a Rua do Sol e seguimos à beira do rio Capibaribe até avistar a Casa da Cultura, Construída originalmente para ser uma prisão, função que cumpriu até a década de 1970. Hoje, no entanto, a clausura deu lugar à arte, ao artesanato e à cultura. Além de mais de cem lojas de bordados, roupas, artesanato e alimentação, a Casa da Cultura abriga também sedes de diversas entidades culturais. No saguão central do prédio em forma de cruz, um belo poema e um painel de Cícero Dias lembram a história de Frei Caneca e da Revolução Praieira.

Terminamos o passeio na estação Central do Metrô do Recife. Se da ilha que hoje abriga estes dois bairros irmãos a cidade se expandiu para virar a metrópole que é hoje, da Estação Central se irradia a população para os bairros da cidade que, apesar de gigantesca, continua em busca de novos territórios.

O passeio acima pode ser feito a pé, em algumas poucas horas, e com segurança. É sem dúvida excelente maneira de se conhecer um pouco da História do Recife.