Bairros do Recife: Madalena

As diferentes realidades vividas em uma metrópole como Recife complementam-se para dar forma a esta cidade múltipla, onde diferentes raças, culturas e gêneros convivem intensamente, entrelaçando histórias e enriquecendo a vivência de seus moradores.

A Agenda Cultural do Recife, em seu passeio pelos bairros da cidade, encontra mais um recanto capaz de nos fazer conhecer o cotidiano da vida da capital pernambucana.

Um dos mais tradicionais bairros do Recife, o bairro objeto desse artigo destaca-se não só pela localização e pela qualidade vida de seus moradores, mas por trazer em seu nome uma feminilidade incomum a esta cidade que sempre traz o artigo masculino à frente de seu nome: “o” Recife tem apenas um bairro com o nome de mulher, a Madalena.

Para nos apresentar esta vizinhança que já se faz tão única, encontramos Sônia Bierbard, atriz e poetisa, que mora aqui há oito anos. Ela, que nasceu em São Paulo e mora no Recife há 31 anos, conta que morou muito tempo na Torre, bairro vizinho, e já freqüentava a Madalena, até decidir se mudar para cá. “Adoro morar na Madalena. É tranqüilo, arborizado e perto de tudo. Eu faço propaganda do bairro”, resume Sônia.

Começamos nosso passeio por um lugar emblemático para a localidade: o Museu da Abolição, que fica instalado na construção mais importante da formação do bairro, quando toda a área ainda era um engenho, o Sobrado da Madalena.

Madalena Gonçalves, inspiradora do nome do engenho, do sobrado e, por conseguinte, do bairro, foi esposa de Pedro Afonso Duro, dono de um dos engenhos mais produtivos da região. Neste mesmo sobrado ainda moraram nomes importantes da política local e nacional, a exemplo de João Alfredo Corrêa de Oliveira – importante abolicionista –, e Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista, um dos mais importantes chefes de Gabinete do Segundo Império; no prédio funciona atualmente a sede do IPHAN no Recife.

Após plantar a sua idéia, Sônia indica a pequena praça em frente à entrada do Museu, batizada em homenagem ao ilustre morador João Alfredo. Daqui podemos ver o início de uma das mais importantes vias de tráfego da cidade, a Avenida Caxangá. Do outro lado, a Rua Benfica, importante artéria que leva ao Derby.

Seguimos até encontrar o restaurante japonês Itiban, que Sônia lembra ter apoiado a peça Poesia ao vivo, encenada pela atriz por seis anos. “Muitos artistas freqüentam o restaurante”, afirma a guia.

Em seguida, chegamos a uma calma praça, que logo descobrimos ser a Praça Eça de Queiroz, que homenageia um dos mais importantes escritores da língua portuguesa.

Em frente à praça, mais um grande edifício está sendo construído. São muitos os novos prédios que testemunhamos emergir na Madalena. Apesar de ser um bairro tradicional e de moradores com uma boa média de renda, só agora o bairro parece viver um uma explosão imobiliária. Sobre o número cada vez maior de grandes prédios, Sônia comenta que “quando começa a verticalizar muito, a gente perde um pouco a noção do espaço, perde o horizonte”.

A próxima parada é no Centro Cultural Georges Stobbaerts, na Rua Padre Anchieta, onde encontramos o professor Paulo Roberto Nunes, pioneiro no ensino do Aikido em Pernambuco, há 18 anos em atividade. Ele conta um pouco da história do centro, que existe há oito anos, e diz que Pernambuco é o único estado do país que onde se ensina a arte do Tenchi Tessen – variedade em que se usam leques –, que nossa guia Sônia praticou.

Um pouco mais serenos e energizados, seguimos pela rua e encontramos a Hipérion Escola de Artes. Entramos para conhecer um pouco melhor o espaço, que nossa guia afirma já ter indicado para muitas pessoas que a perguntaram onde poderiam aprender a arte do teatro.

A Hipérion tem sete anos de existência e oferece ainda cursos de cinema, explica o dono, Wilson de Almeida, acrescentando que hoje o espaço conta com cerca de oitenta alunos. Além disso, ainda encena algumas peças e realiza eventos.

O mercado da Madalena
“Quando meu filho era pequeno vínhamos para o Mercado da Madalena para ver os passarinhos e peixes que eram vendidos”, conta Sônia Bierbard; os passarinhos e peixes ainda são vendidos no Mercado, que tem uma área destinada a produtos específicos para animais de estimação.
A variedade de estabelecimentos no mercado traz para cá uma enorme quantidade de pessoas. Sônia diz que vem, principalmente, em busca de temperos. Encontramos ainda sapatarias, restaurantes e bares, açougues, lojas de variedades, costureiras, bancas de frutas, verduras e legumes e mercearias.

Paramos no famoso bar Confraria dos Chifrudos. Fernando Correia, proprietário, conta que abriu o bar há 31 anos e que, neste tempo todo, “nunca faltou chifrudo”. Os chifrudos em questão têm direito até a carteira de sócio.

Logo em frente, um local importante para o mercado e para a vida cultural da cidade, o “Box Sertanejo”. Todos os sábados, a União dos Cordelistas de Pernambuco – Unicordel – realiza eventos no espaço mantido pelas irmãs Nelcita e Neurides. Aqui ainda encontramos discos de forrozeiros locais, muitos cordéis e diversos artigos regionais.

Em meio a diversos artistas como Chico Pedrosa, Paulinho Leite e a banda Fim de Feira, terminamos nossa exploração, certos de que essa mulher em forma de bairro chamada Madalena contribui para a rica cultura da Cidade do Recife com arte e charme.

Ver também: história do bairro da Madalena, pela Fundação Joaquim Nabuco.

Fonte: site do Governo do Recife.


One Comment on “Bairros do Recife: Madalena”

  1. […] do Recife: Madalena By yanpai O bairro do Recife hoje chamdo de Bairro da Madalena é local de grande importância histórica. Os primeiros registros da terra datam da época da […]


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