Baobás do Recife

O baobá (nome científico: Adansonia digitata), também conhecido por embodeiro ou árvore da vida, é uma árvore quechega a viver centenas de anos e medir até 30 metros de altura e 20 de circunferência; a espécie foi imortalizada no livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupery.

O baobá é de origem africana e não há registros de como ela chegou ao Recife; possivelmente, veio com alguns escravos africanos (ou seus traficantes), ou foi trazida pelo Conde Maurício de Nassau; o certo é que o baobá adaptou-se muito bem a Pernambuco.

Pernambuco é o Estado com o maior número de baobás catalogados oficialmente no Brasil, com 16 exemplares, 11 dos quais no Recife. No vizinho Rio Grande do Norte, há registros de baobás em Natal (esse baobá foi batizado de baobá do Diógenes e, segundo alguns estudiosos, teria sido o exemplar que Saint-Exupery teria de fato visto quando de sua passagem pelo Brasil), em Nísia Floresta, em Pedro Velho e a impressionante marca de 11 baobás em Açu. Em Fortaleza, existe um baobá na Praça do Passeio Público (ver relação dos baobás no Brasil).

Com esses números, Recife se auto-intitula a cidade dos baobás fora da África. Mas o que poderia tornar-se atrativo turístico, não o faz porque não recebe a devida atenção do poder público. E esse descaso mantém parte dos exemplares desconhecidos da população.

O mais famoso dos baobás do Recife está na Praça da República, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, no bairro de Santo Antônio (foto abaixo). Todos os dias, turistas e visitantes locais posam para fotos ao lado da árvore; apesar do status de estrela, chega a sofrer pichações no tronco.

baoba-recife

Outros exemplares estão em situação ainda pior; acesso difícil, vandalismo e falta de cuidados são alguns dos problemas.

Um dos baobás mais antigos e de tronco mais grosso, com aproximadamente 16 metros de circunferência, está praticamente abandonado, na Rua Madre Loyola, nas Graças, Zona Norte; num local de difícil acesso, cercado de mato, entre o Rio Capibaribe e um muro e sem placa de identificação, fica à mercê dos que cortam seus galhos e depredam o tronco.

No Poço da Panela, Zona Norte, o baobá da Rua Marquês de Tamandaré também não tem placa indicativa; uma mureta de cimento foi construída sobre as raízes da árvore, localizada próxima a um condomínio.

Atrás do Mercado da Encruzilhada, Zona Norte, está um dos mais jovens baobás tombados, com pouco mais de 20 anos; foi plantado em 1985 pela Prefeitura do Recife num “movimento pelo resgate de alguns símbolos do Recife”, como explica o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), então prefeito da cidade – responsável pelo tombamento de seis dos 11 baobás. Na mesma época, a administração municipal plantou mudas na Praça Chora Menino, no Paissandu, área central, e no Engenho do Meio, Zona Oeste. Esses exemplares não são tombados.

No Fundão, Zona Norte, o baobá centenário apelidado de barriguda é protegido apenas por um gradil, que não impede pichações na planta, nem o acúmulo de lixo e detritos em seu entorno.  “Em outras cidades, o potencial turístico dessas árvores é aproveitado. Aqui, apesar de ser um símbolo, é subestimado pelo poder público”, critica o funcionário público e turismólogo Fernando Batista, pesquisador de baobás.

A Prefeitura pretende mudar esse quadro de abandono. Segundo o diretor de Meio Ambiente da Prefeitura do Recife, Mauro Buarque, o município está concluindo um roteiro para incentivar a exploração turística dos baobás. “A partir disso, tentaremos captar recursos com o setor privado e também propor a adoção das árvores, como acontece com praças e parques, incentivando, também, a divulgação do potencial didático delas.” Buarque acrescenta que o baobá é a árvore com mais exemplares tombados da cidade e que a prefeitura também quer valorizar espécies nativas, como gameleira e mangueira.

Resta aguardar para ver o quão efetivo será esse projeto.


10 Comentários on “Baobás do Recife”

  1. Denis Campello disse:

    O mais novo Baobá da cidade do Recife é uma muda que eu plantei na Contiuação da Beira Rio no dia 05.06.10 – dia mundial do meio ambiente.

    Grade abreço a todos.

    Denis Campello

    • Ana Rosa de Lima disse:

      Tenho muito interesse em saber a exata localização do baobá do Engenho do Meio. Sou professora da Rede Municipal e venho desenvolvendo um projeto sobre a África, meus alunos estão muito interessados pelos baobás da nossa cidade.

      Poderia me ajudar?

  2. Fernando Batista disse:

    Cara Professora Ana Rosa,

    O baobá do Engenho do Meio localiza-se na Praça Arnaldo Assunção. Ali perto, no campus da UFPE, temos vários exemplares, ainda jovens, plantados.

  3. paula moura disse:

    Fernando, olá! Gostaria de uma muda de Baobá. Poderia me passar seu contato? No ano passado recebi uma muda de um Sr. chamado fernando, do Janga. Seria você? Obrigada!

  4. Suphie disse:

    Ah eu não sabia dessa *-* quando passar por lá vou tirar varias foto =D

  5. Ione Francinete disse:

    Sou apaixonada pela NATUREZA, e em especial pelos Baobás. Quando vejo um dos exemplares (Natal), fico encantada com pela sua imponência, é encantador ver uma árvore de tanta beleza chega ser poético..

  6. Carla Deize disse:

    Me faz lembrar a infância ao ver o filme O Pequeno Principe, me traz boas recordações…e muito aprendizado também, recomendo que leiam ou vejam o filme, é lindo !

  7. João Batista Montenegro disse:

    O maior Baobá da cidade do Recife fica no bairro de Agua Fria e sua foto não é mostrada.

    • João Batista Montenegro disse:

      Na verdade fica na rua Coronel Urbano Ribeiro de Sena no Bairro do Fundão, perpendicular a Avenida Beberibe.

  8. gostei muito desta avore e a beleza de recife


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