Trabalho de Burle Marx no Recife

Burle Marx foi o mais importante paisagista brasileiro.

Embora tenha nascido em São Paulo (em 1909) e tenho sido criado e educado no Rio de Janeiro (onde faleceu em 1994), Burle Marx teve fortes ligações com Recife; além de ser filho de mãe pernambucana, foi no Recife que iniciou sua carreira profissional quando, em 1934, assumiu a Diretoria de Parques e Jardins da cidade.

Pode-se dizer que foi no Recife que Burle Marx começou a desenvolver sua genialidade, que mais tarde se materializaria no paisagismo de obras tão diversas como o Aeroporto da Pampulha, o Parque do Ibirapuera, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o Aterro do Flamengo e várias outras.

“O Recife é fundamental para quem se interessa por Burle Marx no Brasil”, afirma a arquiteta Ana Rita Sá Carneiro, do Laboratório da Paisagem do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco. “A primeira fase do trabalho de Burle Marx se inicia com os jardins públicos do Recife”, afirma o arquiteto, Guilherme Mazza, autor do livro Modernidade Verde, Jardins de Burle Marx, publicado em homenagem ao centenário de nascimento do paisagista.

Burle Marx permaneceu no Recife até 1937, quando pediu demissão por questões políticas. Entre outras razões, foi acusado de comunismo. Chegaram a insinuar que ele estaria construindo trincheiras revolucionárias na Praça do Derby (nessa praça, localizava-se a  base do Exército na cidade).

A breve estada, no entanto, não o impediu de marcar a paisagem recifense. “Burle Marx queria fazer do Recife uma cidade moderna. Atuou tanto no Centro quanto nos bairros”, continua Ana Sá Cordeirro. Ela ressalta que não se sabe ao certo quantos parques e praças o paisagista criou para a cidade; sabe-se, contudo, que seis praças são o que se pode chamar de clássicos do legado de Burle Marx na cidade.

A primeira e mais conhecida delas é a praça de Casa Forte, construída em 1935; essa praça é considerada o marco inicial do moderno jardim brasileiro. Burle Marx gostava de dizer que o jardim tem importância, além de estética e funcional, didática; ou seja, ao domesticar e moldar a natureza, o homem permite que a flora seja conhecida para ser valorizada e preservada.

Isso pode ser observado em Casa Forte: um conjunto com três tipos de vegetação: Mata Atlântica, amazônica e espécimes tropicais exóticas de outros países. “A praça também exibe outra forte característica de sua obra: o cinturão de árvores ao redor, que serve de proteção para o interior do conjunto e de sombra para os passantes. A vegetação tem sempre papel prioritário em seus projetos”, explica a arquiteta.

O circuito Burle Marx continua no centro, no conjunto que engloba a Praça da República e os Jardins do Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo pernambucano (foto abaixo). Na praça, estão três jardins monumentais, um centenário baobá e diversas esculturas francesas em ferro;  ali ele incorporou vários elementos preexistentes, como as palmeiras imperiais e as esculturas de ferro.

A terceira praça preservada é a do Derby; em 1937, o paisagista introduziu linhas curvas no traçado original reto e ampliou os passeios contemplativos. Ali perto, está a Praça Euclides da Cunha, também conhecida como Praça do Internacional ou Cactário da Madalena; lá, ele resolveu implementar a vegetação típica da caatinga.

Completam o circuito recifense os Jardins da Capela do Parque da Jaqueira e a Praça Farias Neves, de 1958, erguida diante do Zoológico de Dois Irmãos. Embora bastante descaracterizada, a Praça Salgado Filho, em frente ao Aeroporto dos Guararapes, também é obra de Marx. Por último, vale lembrar que os jardins internos da Oficina Cerâmica de Francisco Brennand foram também obra de Burle Marx.

Aqueles acostumados com a geografia do Recife percebem facilmente que o que se descreveu acima foram todas as principais praças do Recife. O trabalho de Burle Marx no Recife foi bastante abrangente e está presente até os dias atuais.



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