Restaurante Boi Preto

Acabamos de chegar do Boi Preto, um dos restaurantes de rodízio mais conhecidos do Recife, e, com vista para a beira-mar, é um dos mais bem localizados da cidade.

Até a aproximadamente uns cinco anos, o Boi Preto era O mais conceituado rodízio do Recife; em anos mais recentes, foram abertas a filial recifense  do Sal e Brasa (na BR-101, próximo ao aeroporto) e uma nova filial do grupo Spettus (na avenida Domingos Ferreira, coração de Boa Viagem).

A Sal e Brasa trouxe a fama de outras casas no Nordeste (em Natal e João Pessoa, eles conseguiram se firmar como a churrascaria top), mas por conta de sua localização um pouco afastada e também por conta da maior concorrência, aqui no Recife a casa é apenas mais uma das boas opções; já o Spettus, à custa de bastante marketing, vem se firmando como o rodízio de preferência dos endinheirados (não é raro encontrar os políticos pernambucanos e as estrelas da Globo frequentando o Spettus).

O propósito desse post é opinar: é melhor ir ao Boi Preto que ao Spettus.

Primeiro detalhe importante: o preço do Boi Preto é muito mais competitivo (preço normal é por volta de R$ 35 no Boi Preto, R$ 65 no Spettus).

E o mais importante: a qualidade da comida e dos serviços nos dois locais é muito parecida.

O buffet do Boi Preto é mais simples: saladas, um peixe assado, sushis, nada fora do trivial. No Spettus, havia mais frutos do mar, mais acompanhamentos refinados (inclusive caviar), certamente mais escolha (entretanto, as ostras cruas, que eram uma grande vantagem, não são mais servidas).

Mas nos cortes de carne, as duas casas são igualmente excelentes. O Spettus sempre teve cortes superiores (que nem o Sal e Brasa nem outras casas do Recife, como o Ponteio, oferecem), como chourizo argentino (contra-filé) e picanha nobre.

Nessa visita mais recente ao Boi Preto, verificamos que a casa incorporou ao cardápio o chourizo e a picanha nobre, e também o bife de tira (outro corte nobre, próximo à picanha, mas em pedaços maiores). Além, é claro, de outros cortes triviais e outros não tão comuns: picanha, maminha, fraldinha, carne de sol com recheio de queijo, carneiro, javali.

Os serviços são igualmente bons (muito superiores à média dos restaurantes do Recife) nas duas casas. Mas pelo menos hoje o Boi Preto teve uma vantagem: o proprietário estava circulando entre as mesas verificando o serviço – e, por cortesia, serviu uma sobremesa de banana com canela (quase uma cartola).

Levando-se em conta todos esses fatores, o Boi Preto é atualmente o melhor rodízio de carnes do Recife.


Bode e sushi não combinam

O Entre  Amigos é um restaurante que iniciou em um espaço pouco maior que um bar e cresceu até tornar-se um dos maiores restaurantes de Recife (ver nota no Jornal do Comércio).

Recentemente, o restaurante inaugurou uma expansão (um espaço no segundo andar com varandas) e introduziu uma novidade: comida japonesa.

E mais que isso: em outra reportagem, o Entre Amigos informa que convidou um especialista em comida japonesa de São Paulo, Luizinho Hirata, sushiman do Koi, que trabalharia como consultor do restaurante pernambucano.

Luizinho declarou, corretamente, que muitos restaurantes japoneses do Recife estavam desvirtuando a culinária japonesa, seja ao criar novos pratos que fugiam à tradição, seja empregando profissionais pouco qualificados. In verbis: “O crescimento acelerado e intenso do setor fez com que fossem requisitados mais e mais sushimen. Resultado: uma técnica que, normalmente, se leva 10 anos para aprender estava indo parar na mão de profissionais com apenas um a dois anos de treinamento, e esses já começavam a treinar outros profissionais, num ciclo vicioso de desvirtuação. São pessoas que têm pouca base e compensam a deficiência com muita invencionice”.

Com essa expectativa, de encontrar a tradicional comida japonesa, preparada por profissionais habilidosos, visitamos o Entre Amigos recentemente.

Que decepção!

Não há algo simples e direto, como um combinado sushi/sashimi. Todos os combinados são compostos de sushis exóticos, a maioria dos quais inclui maionese (!!). Não há um teishoku, não um misoshiru, um arroz branco. Pouco atum (o mais tradicional peixe para sashimi), bastante salmão, o peixe branco não era o robalo (e sim o costumeiro – em Recife – agulhão branco). O salão do sushi não é isolado dos demais, o que causa uma mistura de odores.

E que demora! Uma das habilidades essenciais do sushiman é produzir o sashimi com rapidez ; a partir do momento em que é retirado de temperatura refrigerada, o peixe começa a perder frescor. O combinado que pedimos (que veio extirpado de toda a maionese, cream cheese, etc) demorou quarenta minutos.

Preço do combinado: R$ 89 (46 peças, das quais 15 de sashimi).

Definitivamente, sushi e bode não combinam.


Festival Gastronômico de Pernambuco – 2009

Recife é o maior polo gastronômico do Nordeste; Recife tem mais e melhores opções que Salvador e Fortaleza (também muito fortes em termos de restaurantes), e ganha de longe de Natal, João Pessoa e Maceió. Se a gastronomia for fator relevante para a escolha de seu destino turístico, então Recife é certamente um dos mais fortes candidatos.

Isso decorre não de promoções turísticas ou ações governamentais; recifenses são acostumados, há décadas, a frequentar bons restaurantes e a exigir alta qualidade de pratos e de serviços; essa demanda faz surgir frequentemente restaurantes de alto padrão, que lutam para conquistar os clientes locais – aos turistas, cabe aproveitar esse panorama.

O Festival Gastronômico de Pernambuco é um evento que procura enriquecer a já riquíssima culinária local com idéias e experimentos de fora. Chefs renomados de outros restaurantes do Brasil são convidados para pilotar a cozinha dos melhores restaurantes do Estado. O resultado é previsível: pratos deliciosos.

Abaixo, a relação dos restaurantes de Pernambuco (incluindo Recife, Olinda, Porto de Galinhas, outras cidades do interior e também Fernando de Noronha) que participam do festival, bem como dos respectivos chefs convidados:

Primeira fase (15 a 17 de outubro):
1. Restaurante Acqua (Hotel Dorisol) Av. Bernardo Vieira de Melo, 1624, Piedade (81) 2122.2700; Fabiano Marcolini,Vila Marcolini (PR)
2. Anjo Solto Av. Herculano Bandeira, 513, lj 14-A, Galeria Joana d’Arc – Pina (81) 3325.0862; Paulo Pinho, Alvorada (RJ)
3.Château Brillant Rua do Sol, 97, ao lado da Pousada São Francisco, Olinda (81) 3439.3675; Lourdes Ernandez, Chef Consultora (SP)
4. Chiwake Rua da Hora, 820, Espinheiro (81) 3221.1606; Tadeu Lubambo, Carmano (RN) e Beijupirá (Porto de Galinhas)
5. Da Noi Av. Domingos Ferreira, 2377, Boa Viagem (81) 3326.4495; Zoroastro Passos, Resturante Feliz (MG)
6. Dom Ferreira Av. Domingos Ferreira, 4140, Boa Viagem (81) 3463.4141; Fernando Couto, Confraria do Sabor (SP)
7.Due Av.Manoel Borba, 350, Praça do Jacaré, Olinda (81) 3429.2956; Itamar Sinigaglia, La Cantina (RS)
8. É Rua Atlântico, 147, Boa Viagem, Recife – PE (81) 3325.9323; Adelaide Engler, Chef Consultora (MG)
9.Jalan Jalan Rua Desembargador Paes, 4.510, Boa Viagem (81) 3325.2178; Elismar Anselmo, La Tavola (SE)
10.Just Madá Avenida Conselheiro Aguiar, 1360, loja 31, Galeria Centro Sul, Boa Viagem (81) 3467.4618; Rodrigo Medeiros, Chef Consultor (RS)
11.La Comedie Rua Amaro Bezerra, 466, Aliança Francesa, Derby (81) 3222.0245; Ana Bueno, Banana da Terra (RJ)
12. Maria Bonita Av. São Francisco, 276, Areia Branca, Petrolina (87) 3864.0422; André Falcão, Chef Consultor (PE)
13.Mingus Av. Atlântico, 102, Boa Viagem (81) 3465.4000; Samuele Oliva, Terraço Itália (SP)
14.Nez Praça de Casa Forte, 314, Casa Forte (81) 3441.7873; Carlos Ribeiro, Na Cozinha (SP)
15. Papa Capim Av. Rui Barbosa, 1397, Graças Recife – PE (81) 3427.0010; Heiko Grabolle, Chef Consultor (SC)
16. Raval Bistrot Rua do Cupim, 166, Graças, Recife (81) 3222.4677; Liliane Pereira Vorah, Beach Hotel (CE)
17. Senac Av. Visconde de Suassuana (81) 3413.6666; Jorge Bandeira, Le Corbu (AL)
18. Sushi Yoshi Rua Padre Luiz Marques Teixeira, 155, Boa Viagem – Recife – PE (81) 3462.2748; Talitha Barros, Chef Consultora (SP)
19.Varanda Vila do Trinta, Fernando de Noronha (PE). (81) 3619.1546; Flávia Quaresma, Carême (RJ)

Segunda etapa (21 a 23 de outubro):
1.Beijupirá Rua Beijupirá, s/n°, Porto de Galinhas, Ipojuca (81) 3552.2354; Chef Convidado: Bella Masano, Amadeus (SP)
2.Kojima Rua Ondina, 141, Pina, Recife (81) 3464.6426; Roberto Bento, Bistrô D’Acampora (SC)
3. Maison Bonfim Rua do Bomfim, 115, Carmo, Olinda (81) 3429.1674; Pedro Rodrigues, Bartrô (RJ)
4.Oficina do Sabor Rua do Amparo, 335, Olinda (81) 3429.3331; Nelsa Trombino, Xapuri (MG)
5.Ponte Nova Rua do Cumpim, 172, Aflitos, Recife. (81) 3327.7226; André Generoso, Divina Gula (AL)
6. Quina do Futuro Rua Xavier Marques, 134, Aflitos, Recife (81) 3241.9589; Celso Freire, Boulevard (PR)
7. Wiella Bistrô Av. Domingos Ferreira, 1274, Ljs. 14 a 16, Boa Viagem, Recife – PE (81) 3463.3108; William Chen Yen, Babel (DF)
8. Pousada Zé Maria Rua Nice Cordeiro, 01, Floresta Nova, Fernando de Noronha (81) 3619.1258 ; Mônica Rangel, Gosto com Gosto (RJ)

O Festival por si só vale uma visita a Recife em outubro;  e dependendo de como as coisas se desenrolem, talvez seja possível em 2010 combinar a visita a Recife com uma passada no Festival Gastronômico de Pipa (Pipa é outro recanto de apreciadores da boa culinária).

Ver mais informações sobre restaurantes em Recife.


Restaurantes de Pernambuco terão cardápio em braille

A Secretaria de Estado de Saúde abriu ontem o Segundo Fórum da Pessoa com Deficiência, no Centro de Convenções; o evento se estende até hoje. O objetivo do fórum, que conta com a participação de mais 250 portadores de deficiências visual, motora, auditiva e intelectual é discutir uma política estadual que garanta o respeito aos direitos das pessoas com deficiência.

alfabeto-brailleAproveitando o ensejo, foi anunciado que, a partir de dezembro desse ano, 240 restaurantes de Pernambuco vão disponibilizar versões de seus cardápios em braile. Para viabilizar esse projeto, foi assinado ontem um convênio entre a Secretaria Estadual de Turismo, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e a Associação Pernambucana de Cegos (Apec).

Essa é mais uma iniciativa do Programa Turismo Acessível – Pernambuco sem Fronteiras. O projeto, pioneiro no Brasil, tem o objetivo de adequar os destinos turísticos do Estado para receber visitantes e consumidores locais portadores de alguma deficiência física.

Para o presidente da Apec, Antônio Muniz, deficiente visual, o cardápio em braille é uma maneira de reconhecer e respeitar o cego, como consumidor e, sobretudo, com cidadão. “Agora, vamos ter acesso ao cardápio como qualquer outro consumidor. Eu não vou precisar mais pedir a ninguém para ler o cardápio. Isso me torna mais independente,” disse.

Os cardápios custarão R$ 6 mil e serão elaborados pela Apec, com financiamento da Secretaria de Turismo; estima-se que os cardápios estejam prontos em 45 dias.


Garçons do Recife se preparam para os turistas

Com a confirmação do Recife como uma das sedes da Copa 2014, diversos estabelecimentos já começam a se preparar para receber melhor o turista. É o caso do Restaurante Entre Amigos (que serve o melhor bode do Recife, com unidades no Espinheiro, na Rua da Hora e em Boa Viagem), que já está oferecendo capacitações para seus funcionários.

“Os turistas muitas vezes chegam ao restaurante e fazem perguntas sobre a cidade e sobre o Estado, querendo saber quais os pontos turísticos, a cultura, e percebemos que nem sempre nossos garçons sabem responder”, comenta afirma uma das donas do restaurante, Najara Dantas.

De acordo com ela, nas aulas, realizadas no próprio restaurante, são mostrados os principais roteiros turísticos do Recife, e os garços são estimulados a visitar esses lugares nos horários de folga. Acontecerão também cursos de qualificação em atendimento e abordagem aos clientes.

O restaurante participa ainda do projeto Caminhos do Sabor – A União Faz o Destino, organizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em parceria com o  Ministério do Turismo.

A iniciativa promove aulas de inglês entre os funcionários. O objetivo das aulas é fazer com que os alunos aprendam ao menos a cumprimentar os clientes e oferecer opções de cardápio. O menu do restaurante será traduzido não só para o inglês, como já existe, mas também para o francês e espanhol.

Ainda para os turistas, a unidade do Entre Amigos de Boa Viagem conta com serviço de van, transportando os visitantes do hotel para o restaurante.


Espetinhos na praia de Boa Viagem

Desde o início de abril, a Prefeitura de Recife decretou proibição de que vendedores de espetinhos e outras comidas rápidas ocupassem o calçadão e proximidades de Boa Viagem.

Moradores da Avenida Boa Viagem e ruas próximas da orla, entretanto, decidiram abraçar a causa dos comerciantes; ontem à noite, um grupo realizou ato de apoio aos vendedores. Com faixas e carro de som, eles protestaram contra a decisão da Prefeitura do Recife e cobraram a volta dos vendedores ao local; mesmo em número pequeno, os moradores conseguiram chamar a atenção dos motoristas que passavam pela avenida e de outros moradores que caminhavam pelo calçadão.

Manifestações de apoio vinham também das varandas dos apartamentos próximos à avenida Boa Viagem. A turismóloga Sueli das Dores garante que quer a volta dos comerciantes para a orla não só por questão pessoal, mas porque eles representam uma opção de lazer para a população. “O único atrativo natural que o Recife tem é a praia de Boa Viagem. Aqui, já somos carentes de atrações como a de barzinhos que você encontra em outras orlas, na de Maceió, por exemplo. Os espetinhos agregavam lazer, recreação, entretenimento e a confraternização da família e de amigos”, afirmou a moradora.

O presidente da Associação de Espetinhos e Dogueiros do Recife, Sérgio Antunes, participou do ato. Segundo ele, desde que os comerciantes foram obrigados a vender apenas nas ruas próximas à Avenida Boa Viagem (nas ruas transversais, que dão acesso à avenida), o movimento caiu cerca de 70%. “São mais de 60 famílias dependendo desses espetinhos e os vendedores estão praticamente parados há 28 dias. É um absurdo a prefeitura não abrir os olhos para isso”, afirma.

Sérgio Antunes quer que a prefeitura considere o cadastro de comerciantes que havia em 2007. “Tínhamos autorização da prefeitura para ficar aqui, fizemos curso de manipulação e conservação de alimentos com a Vigilância Sanitária e não permitíamos que os vendedores colocassem mesinhas no calçadão. Mas aí a prefeitura relaxou, vieram os não cadastrados e fizeram bagunça. Agora, querem proibir todo mundo. Está errado”, protestou o presidente da associação.